Cinco da Tarde é um longa em preto e branco dirigido por Eduardo Nunes que aborda a dor da ausência e a experiência do luto. A história acompanha Anabel, de 17 anos que está enfrentando a perda de sua avó. Em meio ao isolamento, ela acaba se aproximando de Meiko, sua vizinha. Aos poucos, pequenas conversas e simplesmente estando uma ao lado da outra, as duas vão construindo uma relação marcada pelo acolhimento silencioso. Apesar de suas diferenças, a convivência faz com que percebam que compartilham dores e sentimentos muito mais parecidos do que imaginavam.

Eu preciso começar dizendo que este é um filme extremamente contemplativo. O preto e branco já imprime uma carga melancólica muito forte, e toda a construção narrativa reforça essa sensação. Isso significa que o filme exige bastante paciência do espectador.
A proposta é interessante. Falar sobre o luto é importante, porque ainda é um tema sobre o qual falamos pouco. Não discutimos a morte com frequência, nem a forma como cada pessoa vive a ausência e aprende a seguir em frente. E uma das qualidades do filme é justamente mostrar que não existe uma única maneira de sofrer. O luto é individual, silencioso e muitas vezes difícil de explicar.

No entanto, apesar de admirar a proposta, tive dificuldades com a execução. Estamos diante de um longa de aproximadamente duas horas, com muitos silêncios e inúmeras cenas contemplativas. O ritmo é extremamente lento e, para mim, isso acabou tornando a experiência bastante arrastada. Além disso, o filme demora para apresentar algumas informações importantes e, em diversos momentos, senti que a narrativa levava muito tempo para chegar ao ponto.
Já no início, por exemplo, acompanhamos Anabel na porta da casa de Meiko pedindo para entrar. Ainda não entendemos exatamente qual é a relação entre elas e nem sabemos pelo que Anabel está passando. Sem esse contexto, a personagem inicialmente pode soar estranha e distante, e o filme leva um tempo considerável para nos aproximar dela.

A direção de Eduardo Nunes é interessante e demonstra um grande cuidado visual. A maior parte da história acontece dentro do prédio onde as personagens vivem, com poucas cenas externas. Isso acaba criando uma sensação quase claustrofóbica, como se aquelas mulheres estivessem presas dentro das próprias lembranças e dores. É uma escolha que faz sentido com o tema do filme.
E é impossível não destacar a fotografia, que para mim é o aspecto mais bonito de toda a obra. Mesmo sem o uso das cores, o filme é visualmente muito rico. Existe uma melancolia evidente em cada quadro, e a forma como a luz e em alguns momentos até mesmo a ausência dela é utilizada cria imagens muito bonitas. Há um cuidado estético enorme, e isso fica evidente em praticamente todas as cenas.

As atuações também são muito boas. Sharon Cho, que interpreta Meiko, é quem mais me chamou a atenção. Sua interpretação é delicada e extremamente sensível, conseguindo transmitir muito através dos silêncios e dos pequenos gestos. Bárbara Luz, que vive Anabel, também entrega um bom trabalho, mas em alguns momentos eu me senti um pouco distante da personagem. Não por uma questão de atuação, mas talvez por escolhas de direção. Em determinadas cenas, percebi algo mais teatral em sua interpretação, e dentro de uma proposta tão minimalista isso acabou me tirando um pouco da história.
Outro ponto que me afastou foi justamente o excesso de silêncio. Eu entendo completamente a intenção do diretor. O silêncio faz parte do luto e da sensação de vazio que acompanha a perda. Mas, em alguns momentos, tive a impressão de que nada estava realmente mudando. Como espectadora, sentia que estava esperando a narrativa avançar, enquanto tudo permanecia muito estático. Talvez essa sensação seja proposital, mas para mim ela acabou diminuindo o envolvimento emocional com a trama.

Por outro lado, os poucos momentos em que a trilha sonora aparece são muito bonitos. As músicas escolhidas trazem vida para algumas cenas e ajudam a estabelecer a emoção necessária. Inclusive, senti falta de mais momentos como esses ao longo do filme.
No fim, Cinco da Tarde possui uma proposta muito interessante e aborda um tema importante. Existe muito cuidado na direção, nas interpretações e, principalmente, na fotografia. Porém, a escolha por uma narrativa extremamente contemplativa e silenciosa acabou tornando a experiência mais cansativa do que emocionante para mim.

