Pega Essa Dica – Tron: Ares

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A franquia Tron esta de volta aos cinemas após anos de espera dos fans com uma nova aventura, que poderia ter sido muito mais doque foi Iara nova geração.

Resumidamente, o novo filme da franquia Tron é divertido e visualmente deslumbrante. Cada cena no mundo da “Grade” é um espetáculo à parte. Unindo-se a isso está a boa trilha sonora, que consegue ditar bem o instável ritmo do filme. Por outro lado, esse ritmo é prejudicado justamente por sua falta de ousadia no roteiro.

Com um excelente elenco, o filme dirigido por Joachim Rønning também busca fazer alguns paralelos e alegorias com parábolas, contos e outros assuntos em alta. Foi interessante ver, por exemplo, algumas citações visuais de clássicos da cultura pop como, por exemplo, uma cena na qual é possível ver uma semelhança clara entre a moto de Tron e a do anime Akira (1988).

Desde o início, o novo capítulo mostra que é possível assistir sem ter visto os anteriores, mas que há uma camada de prazer adicional para quem reconhece o passado. O roteiro não se apoia em fan service gratuito, e sim em ecos, como a abertura em neon que remete ao filme de 1982, a presença simbólica das motos de luz e até o modo como a câmera se move, de forma que ainda tentasse decifrar um mundo feito de códigos e simetria. O espectador percebe que o digital, antes metáfora de um futuro distante, aqui se torna algo melancólico, um lugar onde a humanidade tenta reencontrar a si mesma através das máquinas.

As atuações seguem essa mesma lógica de contenção e intensidade: Jared Leto entrega um Ares distante, quase etéreo, interpretado mais pelo olhar do que pela fala, o que funciona dentro do universo digital, onde emoção e lógica se confundem. Greta Lee traz humanidade e ritmo à trama, servindo como contraponto à frieza programada do protagonista. Ainda que alguns diálogos escorreguem para o didatismo, o elenco consegue sustentar o equilíbrio entre o drama existencial e o espetáculo visual.

Tron: Ares procura reconectar a franquia com um público moderno, mas sem se comprometer com algo que vá além do esperado pela franquia. Ele tem muito estilo, ação de qualidade e a trilha sonora impecável, porém o filme soa mais como um reboot disfarçado de continuação, constantemente didático e expositivo, mas que parece preso nos mesmos debates de filmes anteriores, ao ponto de esquecer completamente a premissa de inteligência artificial e manipulação corporativa para tentar mais uma vez fazer Tron funcionar para um público que não se interessa pela franquia.

O que pode ser muito bom quem esperava uma continuação a muito tempo, porém para um novo público e que não tem apego a teor a história vai soar como um filme lindo porém vazio.