Pega Essa Dica – Zona Zero

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Um bom passa tempo com zumbi.

Zona Zero, dirigido por Yeon Sang-ho, de Invasão Zumbi, e roteirizado pelo próprio diretor ao lado de Choi Gyu-seok, é aquele tipo de filme que entrega exatamente o que promete: zumbis, ação, violência, criaturas cada vez mais perigosas e muita correria. Eu gostei do filme e, para mim, funciona muito bem como um bom passatempo. Filme de zumbi sempre é legal e, quando consegue entregar boas cenas de ação e tensão, fica difícil não se divertir.

A história acompanha Se-jeong, uma professora de biotecnologia que participa de uma conferência quando um vírus de rápida mutação é liberado. O local é imediatamente isolado e os sobreviventes ficam presos enquanto os infectados começam a sofrer transformações cada vez mais perigosas. Para escapar, eles precisam enfrentar não apenas as criaturas, mas também outros sobreviventes e situações que vão surgindo ao longo do caminho.

O filme tem algumas ideias interessantes, principalmente ao transformar os infectados em uma espécie de inteligência coletiva. Também existe uma tentativa de discutir tecnologia, inteligência artificial, comunicação e a perda da individualidade. E, para quem gosta do gênero, as referências são perceptíveis, principalmente Invasão Zumbi, além de produções como Despertar dos Mortos, Madrugada dos Mortos, REC e Resident Evil.

Mas o principal problema de Zona Zero está justamente no roteiro. São muitos personagens, muitos núcleos e muitas ideias acontecendo ao mesmo tempo. Quando você acha que a história finalmente está chegando ao fim, aparece mais um personagem ou um novo núcleo, e você fica pensando: de onde veio isso?

E alguns desses personagens também são extremamente burros e sem carisma. As decisões absurdas que eles tomam acabam irritando mais do que envolvendo. Em vez de criar uma conexão ou fazer você torcer por eles, em alguns momentos dá vontade apenas de perguntar como essas pessoas conseguiram sobreviver até ali.

O resultado é um filme que tem apenas pouco mais de duas horas, mas passa a sensação de ser muito mais longo. O excesso de personagens, histórias e acontecimentos sobrecarrega a narrativa e deixa algumas partes cansativas. E isso é justamente o que mais incomoda, porque um filme de zumbi deveria ser ágil, tenso e divertido.

Inclusive, acho que Zona Zero funcionaria muito melhor como uma série. Com tantos personagens e núcleos, haveria tempo para desenvolver melhor as histórias, trabalhar os personagens e explorar de verdade as ideias sobre inteligência coletiva, tecnologia e sociedade. Como filme, muita coisa acaba sendo jogada na tela sem tempo suficiente para ser desenvolvida.

Mesmo com esses problemas, eu gostei de Zona Zero. É um bom passatempo, tem boas cenas de ação, criaturas interessantes e consegue entregar aquela diversão básica que um bom filme de zumbi proporciona. O problema não está na falta de ideias, mas justamente no excesso delas.

Zona Zero não reinventa o gênero e também não chega perto do impacto de Invasão Zumbi, mas para quem gosta de zumbis, ação e bastante caos, vale a sessão