Pega Essa Dica- Zoopocalipse – Uma Aventura Animal

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Entrar numa sala de cinema para ver uma animação é sempre um convite à leveza. A gente espera cor, fantasia, risadas fáceis e uma boa mensagem no final. Zoopocalipse – Uma Aventura Animal entrega parte disso, mas tropeça em alguns pontos que, para mim, fazem diferença.

Logo de cara, o visual impressiona. As cores são vibrantes, o design dos personagens é divertido e o universo criado chama atenção. A ideia de misturar bichinhos fofos com uma pegada apocalíptica é ousada e, sem dúvida, diferente. Mas aí vem o meu primeiro desconforto: a forma como o filme lida com os tais “zumbis de geleca”. Ainda que o artifício de transformar membros e cabeças em jujubas traga um ar lúdico, não consegui deixar de achar pesado demais para crianças pequenas. É aquela linha tênue entre o engraçado e o assustador — e, na minha percepção, eles exageraram um pouco no segundo.

Falando da dublagem: a escolha de Viih Tube para dar voz à lobinha Gracie parece muito mais uma estratégia de marketing do que uma decisão artística. A personagem é corajosa, meio “fora da caixinha” e deveria transmitir um frescor adolescente que conduz a aventura. Porém, a voz da Viih soou artificial, como se tivesse sido muito editada na pós-produção, e não casou com a essência da personagem. Por ser o primeiro trabalho dela, dá até para passar um pano, mas faltou naturalidade, emoção genuína. Soou como uma celebridade encaixada à força.

Por outro lado, alguns personagens ganharam meu coração e salvaram a experiência. A capivara Frida, meio mal-humorada, tem tiradas certeiras que fazem rir e lembram aquele amigo rabugento que todo mundo tem no grupo. Já a hipopótamo-pigmeu Poot é simplesmente encantadora: avoada, doce e com uma ingenuidade que quebra a tensão das cenas mais pesadas. É o tipo de personagem que transmite inocência e traz respiro para o enredo. E claro, o leão Dan: ele tem o arco narrativo mais interessante, trazendo uma lição sobre egoísmo, união e liderança. É a prova de que até em um apocalipse de jujubas dá para aprender algo valioso.

O humorista Ed Gama, na dublagem do lêmure Xavier, também merece destaque. O personagem é cheio de referências metalinguísticas sobre cinema, o que diverte os adultos que estão assistindo. É aquele tipo de detalhe que mostra como as animações hoje buscam dialogar não só com as crianças, mas também com quem as acompanha.

Outro ponto positivo está na mensagem geral da obra. No fundo, o filme fala sobre convivência, aceitação das diferenças e a importância de trabalhar em conjunto. É atual, faz sentido para o mundo em que vivemos, e a metáfora dos bichos que só conheciam seus próprios cercadinhos funciona bem como crítica social.

Mas, ainda assim, o peso do tema pode ser um obstáculo para o público infantil. Crianças muito pequenas podem se assustar ou simplesmente não entender a camada de humor que os diretores quiseram aplicar com os zumbis de geleca. A narrativa se equilibra entre divertida e sombria, e eu, pessoalmente, senti falta de mais leveza.

No fim das contas, Zoopocalipse – Uma Aventura Animal não é uma animação descartável: tem seus méritos, seus personagens cativantes e uma estética muito bem feita. Porém, não é o tipo de filme que me dá vontade de rever. Eu saí do cinema com aquela sensação de “legal, mas faltou algo”.

Um filme que vale a experiência pelas cores e pela mensagem, mas que talvez não atinja em cheio o coração do público infantil — e que, definitivamente, não entrou para minha lista de favoritos.

📅 Estreia: 25 de setembro nos cinemas
🎙️ Dublagem nacional com Viih Tube e Ed Gama
🎥 Distribuição: Diamond Films

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