Pega Essa Dica – Amor Apocalipse

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Amor Apocalipse (também conhecido pelo título em inglês Peak Everything) é uma comédia romântica canadense de 2025. Escrito e dirigido por Anne Émond, o filme foi exibido na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes e estreou nos cinemas brasileiros no último dia 11 de junho.

A trama acompanha Adam (Patrick Hivon), um homem gentil que trabalha cuidando de um canil. Ele sofre de ecoansiedade, um medo profundo e paralisante em relação ao futuro do planeta. Na tentativa de amenizar seus temores, Adam compra uma lâmpada terapêutica. Ao entrar em contato com o suporte técnico do produto, ele conhece Tina (Piper Perabo), uma atendente de voz calma e acolhedora. Os dois acabam se apaixonando por telefone, dando início a uma grande aventura em meio a um desastre natural.

O que mais funciona no filme é o protagonista. Patrick Hivon entrega uma atuação carismática e sensível, carregando a narrativa com facilidade. Sua ecoansiedade não é tratada apenas como elemento cômico; ela é apresentada como uma condição que afeta profundamente sua capacidade de viver e de se conectar com outras pessoas. Quando conhece Tina por telefone, a relação entre os dois nasce de algo raro no cinema contemporâneo: uma conexão emocional construída antes da atração física.

A química entre Adam e Tina também ajuda a sustentar as situações mais absurdas propostas pelo roteiro. O filme consegue manter sua sinceridade mesmo quando flerta com o surrealismo. Há uma sensação constante de que o mundo está desmoronando enquanto duas pessoas tentam encontrar algum sentido em meio ao caos.

Se, por um lado, temos um protagonista cativante, por outro, o roteiro falha no desenvolvimento dos personagens secundários. Muitos deles entram e saem da narrativa sem receber a devida atenção, enquanto alguns acontecimentos parecem existir apenas para reforçar o tom excêntrico da obra.

Além disso, o filme aborda uma temática interessante a relação entre crise climática e saúde mental, mas nem sempre aprofunda essa discussão. Em determinados momentos, a história parece mais interessada nas coincidências românticas do que nas implicações emocionais e psicológicas de seu cenário apocalíptico.

Amor Apocalipse está longe de ser uma comédia romântica convencional. É um filme estranho, irregular e, por vezes, excessivamente indulgente com suas próprias excentricidades. Ainda assim, possui personalidade, algo cada vez mais raro no gênero. Para quem aprecia histórias que misturam humor melancólico, absurdismo e reflexões sobre o mundo contemporâneo, a experiência pode ser bastante recompensadora. Já aqueles que procuram uma narrativa tradicional e mais bem estruturada provavelmente sairão decepcionados.