Um belo filme que merecia mais destaque.
O Afinador é uma daquelas surpresas que chegam aos cinemas sem muito alarde, mas conseguem conquistar o público pela combinação de suspense, drama e carisma. O longa encontra sua força em uma premissa incomum e na forma como transforma um personagem aparentemente comum no centro de uma trama envolvente, repleta de tensão e reviravoltas.

A história acompanha Niki, um talentoso afinador de pianos com uma audição extraordinária. Quando suas habilidades chamam a atenção de criminosos que enxergam nelas uma oportunidade para abrir cofres e executar golpes, ele acaba sendo arrastado para um perigoso universo criminal. Enquanto tenta sobreviver a essa situação, Niki também precisa equilibrar sua vida pessoal, seus relacionamentos e sua paixão pela música.
O roteiro funciona muito bem ao apresentar uma ideia original e desenvolvê-la de maneira acessível para o grande público. A narrativa mistura suspense, romance e momentos de humor sem perder sua identidade. Ainda que algumas coincidências e facilidades narrativas enfraqueçam determinados acontecimentos, especialmente no terceiro ato, a história permanece interessante do início ao fim.

Na direção, Daniel Roher demonstra segurança ao comandar sua primeira grande produção de ficção. Seu trabalho se destaca pela construção da atmosfera e, principalmente, pela forma inteligente como utiliza o som como parte essencial da narrativa. A audição excepcional do protagonista não é apenas uma característica do personagem, mas um recurso que aproxima o espectador de sua experiência e amplia a tensão em diversos momentos.
Leo Woodall entrega uma atuação carismática e segura, sustentando boa parte do filme com naturalidade. O ator consegue equilibrar vulnerabilidade e determinação, tornando Niki um protagonista fácil de acompanhar. Dustin Hoffman também merece reconhecimento, trazendo presença e peso dramático para a trama. O restante do elenco cumpre bem suas funções e ajuda a manter a credibilidade dos conflitos apresentados.

Tecnicamente, O Afinador impressiona pelo excelente trabalho de som, sem dúvida um de seus maiores diferenciais. A fotografia elegante e a montagem dinâmica contribuem para um ritmo fluido, fazendo com que seus quase 110 minutos passem de forma leve e envolvente.
O Afinador não reinventa o gênero do suspense criminal, mas entrega uma experiência extremamente competente. Com boas atuações, direção segura e uma proposta diferenciada, o filme consegue entreter, criar tensão e emocionar na medida certa. Mesmo com algumas escolhas mais previsíveis em sua reta final, o saldo é bastante positivo e reforça o longa como uma das agradáveis surpresas de 2026.

