Nem o elenco salva.
Originalmente intitulado Borderline, é aquele tipo de filme que parece promissor no papel, mas se perde completamente na execução.
A proposta até chama atenção. Um stalker obcecado, uma vítima presa em um jogo psicológico e a mistura de suspense com comédia sombria. Mas o problema começa justamente onde o filme deveria se firmar: o roteiro. Assinado por Jimmy Warden, ele é confuso, sem pé nem cabeça, e parece não saber para onde quer ir. A narrativa não se sustenta, as cenas não se conectam de forma orgânica e o filme nunca decide qual história quer contar de fato.

O maior erro está no tom. Em vez de aprofundar o terror psicológico ou abraçar de vez o humor ácido, o filme fica preso no meio do caminho. Essa indecisão faz com que ele não funcione bem em nenhum dos dois lados. Falta tensão quando precisa ser tenso e falta impacto quando tenta ser provocativo. No fim, ele simplesmente não se mantém fiel ao próprio tema.
E nem mesmo o elenco consegue salvar. Nomes como Samara Weaving e Ray Nicholson entregam o que podem, mas estão presos a personagens rasos e a um roteiro que não ajuda. Mesmo com um elenco de peso, o filme não se sustenta, e isso acaba sendo ainda mais frustrante.

Há momentos isolados que mostram algum potencial, principalmente na ideia central, mas eles se perdem rapidamente em meio a uma condução desorganizada. O resultado é um filme que parece deslocado, inconsistente e sem identidade.
Com previsão de chegada ao catálogo da Netflix, Um Stalker Apaixonado acaba sendo mais uma curiosidade do que uma recomendação. No fim, é um filme cansativo, perdido, e que deixa a sensação de que poderia ter sido muito mais do que realmente é.

