Pega Essa Dica – Amigas sem Filtro

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Amigas sem Filtro, dirigido por Jon Lucas e Scott Moore, acompanha três amigas que decidem fugir da rotina em uma viagem para um spa de luxo, planejando alguns dias de descanso e tranquilidade. O problema é que uma quarta amiga aparece de maneira completamente inesperada e transforma o que deveria ser um retiro relaxante em uma sucessão de confusões. Entre tratamentos, decisões impulsivas, desentendimentos e situações completamente absurdas, as quatro precisam lidar não apenas com o caos da viagem, mas também com questões que foram se acumulando ao longo dos anos.

Confesso que já me interessei pelo filme de cara principalmente pelo elenco. Temos algumas carinhas bastante conhecidas, especialmente para quem acompanha comédias e comédias românticas, e isso despertou minha curiosidade logo de início. Mas o que realmente me conquistou foi perceber que, por trás de toda a loucura, o filme é essencialmente uma história sobre amizade.

E não qualquer amizade aquela amizade que começa na infância e continua acompanhando a gente pela vida. Mesmo que as pessoas mudem, amadureçam e assumam responsabilidades completamente diferentes, algumas características permanecem. E é justamente esse contraste que funciona tão bem aqui. Temos quatro mulheres em momentos muito diferentes da vida, uma extremamente ligada ao trabalho, outra que vive a maternidade, uma mais explosiva e outra completamente desajustada e impulsiva. São personalidades que poderiam facilmente entrar em conflito e entram, mas que também mostram por que aquela amizade continua existindo depois de tantos anos.

Ele trabalha bastante com uma fórmula conhecida personagens muito diferentes entre si, uma situação que sai do controle e uma sequência de acontecimentos cada vez mais absurdos. Existem clichês, situações bastante convenientes para a história acontecer e momentos em que precisamos simplesmente aceitar algumas coisas para continuar embarcando na proposta. Mas, sinceramente, isso não me incomodou tanto porque o filme sabe exatamente o que quer ser.

Não é aquele tipo de filme que vai provocar grandes reflexões ou apresentar uma história completamente inesperada. É um filme leve, gostoso e fácil de assistir. Existem piadas que realmente funcionam, situações inesperadas e também alguns momentos de vergonha alheia principalmente quando a amiga sem filtro resolve abrir a boca na hora errada, mas o humor combina com a proposta. Você não sente que o filme está desesperado para arrancar uma risada. As situações vão acontecendo e, quando você percebe, já está envolvida naquela confusão junto com elas.

Ao mesmo tempo, existe uma reflexão interessante sobre a vida adulta. As quatro estão em momentos em que as responsabilidades acabam ocupando praticamente todo o espaço trabalho, filhos, relacionamentos, problemas pessoais. E, no meio disso tudo, elas acabam deixando a amizade e o próprio tempo de lado. É uma reflexão simples, que não chega a ser muito aprofundada pelo roteiro, mas funciona dentro da história. Afinal, às vezes é justamente quando a gente se permite parar um pouco que percebe o quanto estava precisando daquele momento.

A amizade entre as quatro é, para mim, um dos pontos mais fortes do filme. As atrizes têm uma química muito boa juntas, e isso faz diferença em uma história que depende tanto da dinâmica do grupo. Mesmo quando elas brigam ou passam algum tempo desconectadas, existe uma sensação de vínculo que permanece. Você entende que aquela amizade vem de muito antes daquela viagem e que existem anos de história entre elas.

Também gostei bastante da maneira como o filme mostra essa amizade feminina sem transformar as quatro em rivais. Elas podem discordar, podem guardar ressentimentos e podem ter problemas de comunicação, mas não existe aquela necessidade constante de colocar mulheres umas contra as outras. O contraste entre as personalidades acaba sendo justamente o que torna a relação interessante.

Por outro lado, algumas construções de personagem poderiam ter sido mais cuidadosas. A personagem mais explosiva, por exemplo, acaba ficando um pouco caricata em determinados momentos. A personagem mais focada no trabalho também é construída com uma inocência que, em algumas situações, passa um pouco do ponto. Já a advogada me pareceu a personagem mais bem desenvolvida, porque existe um pouco mais de equilíbrio na maneira como suas características são apresentadas.

E temos também a personagem que representa a amiga completamente desajustada do grupo. É um arquétipo bastante conhecido em comédias, e eu particularmente não gosto muito quando cada personagem parece precisar caber perfeitamente em uma caixinha. Mas, dentro da proposta do filme, essa característica acaba funcionando para o humor. Ela faz coisas tão absurdas que, em alguns momentos, você precisa simplesmente aceitar que aquela situação só existe porque a história precisa dela e tudo bem.

Outro ponto que merece muito destaque é a trilha sonora. Eu simplesmente adorei. É uma seleção bastante nostálgica, que conversa muito bem com a história dessas personagens e com a sensação de acompanhar uma amizade que começou muitos anos antes. A música que abre o filme já dá o tom e, ao longo da história, a trilha ajuda a criar uma sensação muito gostosa de nostalgia. Foi um dos elementos que mais me divertiram durante a sessão..

As quatro personagens têm características visuais que ajudam a contar quem elas são, mas quem mais me chamou atenção foi a Mel. O figurino dela trabalha muito com uma ideia de peças que parecem estar quase desconectadas entre si, como se fossem retalhos de diferentes estilos. É uma escolha que reforça visualmente o quanto ela é diferente, excêntrica e completamente fora do padrão do grupo. E o mais interessante é que não parece simplesmente uma roupa engraçada colocada nela existe uma construção visual coerente com a personalidade da personagem. As outras também têm figurinos muito bem contextualizados, mas o da Mel definitivamente é o que mais chama atenção. 

O filme também apresenta alguns momentos de romance, que são pequenos, mas funcionam dentro da história. Não são o foco principal. São momentos fofos que complementam a narrativa sem tirar o protagonismo da amizade.

No fim das contas, não é um filme que vai revolucionar o gênero da comédia ou ficar na memória por apresentar algo completamente novo. Mas também não acho que ele precise fazer isso. É aquele tipo de filme que você coloca para assistir quando quer relaxar, dar algumas risadas e passar um tempo agradável. O ritmo é bom, o filme passa muito rápido e o elenco funciona muito bem junto. Algumas escolhas de roteiro e determinadas construções de personagem poderiam ser melhores, mas elas não são suficientes para tirar a diversão da experiência.

Ele me lembrou um pouco aquelas comédias dos anos 2000 que eu particularmente adoro filmes leves, com personagens carismáticos, uma boa trilha sonora, situações absurdas e uma história que você simplesmente acompanha sem precisar pensar demais.