Pega Essa Dica – Seven Snipers

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Seven Snipers, dirigido por Sandra Sciberras, acompanha a nova vida de uma ex-atiradora de elite que agora vive escondida em um rancho isolado na Austrália ao lado da filha. Depois de anos vivendo afastada do mundo, ela vê sua vida sair do controle quando um senhor da guerra ameaça manter sua filha em cativeiro. Agora, ela precisa lutar para mantê-la segura enquanto também lida com os sentimentos de vingança que carrega consigo.

Eu não sabia muito bem o que esperar de Seven Snipers e, no fim, o filme acabou me surpreendendo em alguns aspectos. É claro que, pelo próprio título e pela proposta, a gente já espera tiros, perseguições e cenas de ação e o filme entrega isso. Mas o que mais me chamou atenção foi que, por trás de toda essa ação, existe uma história muito mais focada na relação entre mãe e filha.

As duas têm uma relação bastante conturbada, principalmente pela ausência emocional da mãe. Ela passou grande parte da vida distante da filha e, por isso, existe uma dificuldade enorme de conexão entre as duas. A filha praticamente não conhece a própria mãe e não consegue compreender os sacrifícios que ela fez ao longo da vida para mantê-la segura, eu gostei bastante de como o filme trabalha esse distanciamento.

A mãe desenvolveu uma frieza muito grande, mas essa frieza vem de um lugar de sobrevivência. É uma pessoa que aprendeu a sobreviver sendo assim e que tenta transmitir essa mesma lógica para a filha. Só que a filha é completamente diferente dela. Ela não passou pelas mesmas experiências e não consegue simplesmente reproduzir aquela frieza.

Também gostei bastante do ritmo do filme que tem uma duração que funciona para a história que quer contar. O filme não fica enrolando ou criando conflitos desnecessários. Quando precisa entrar em ação, entra em ação, e a história vai direto ao ponto.

E, apesar de ter bastante ação, eu sinto que o filme funciona muito mais como um drama do que propriamente como um filme de ação. Os momentos dramáticos, principalmente algumas mortes, conseguem ter um peso que combina com o tom da história. Não achei que o filme exagerasse nesse aspecto. Existe espaço para a ação, mas também existe espaço para o drama familiar, e acho que esse equilíbrio funciona bem.

Outro detalhe visual que gostei foi a camuflagem utilizada pelos personagens. Como boa parte da história acontece em uma região de mata, eles não ficam apenas naquela camuflagem militar óbvia. Existem roupas que se misturam mais com o ambiente, com elementos que lembram serragem e vegetação. Pode parecer um detalhe pequeno, mas achei uma escolha interessante porque ajuda a construir a ambientação sem cair tanto no visual mais óbvio.

Agora, o que realmente não funcionou para mim foi o vilão e aqui eu preciso colocar muitas aspas na palavra “vilão”, porque o problema está justamente na maneira como ele foi construído.

Ele é aquele tipo de personagem que parece praticamente invencível. Um homem capaz de enfrentar e matar várias pessoas sozinho, enquanto um grupo inteiro, armado e com um plano, parece não conseguir fazer absolutamente nada contra ele, eu não gosto muito desse tipo de construção porque, para mim, ela acaba tirando a credibilidade da história.

Algumas mortes também acontecem de uma maneira muito fácil, justamente para reforçar esse status de personagem extremamente perigoso. Só que, para mim, isso acaba funcionando ao contrário. Em vez de fazer o vilão parecer mais ameaçador, faz algumas situações parecerem convenientes demais para o roteiro e acho que isso fica ainda mais complicado porque não temos uma construção tão aprofundada do passado dele.

Sabemos que existe uma questão de vingança e que existe toda uma história por trás daquele personagem, mas eu não senti que o filme explicou suficientemente de onde vem todo esse poder, essa influência e essa capacidade que ele tem. Existe um flashback tentando explicar algumas coisas, mas achei esse momento bastante vazio. Ele até forneceu algumas informações, mas não senti que realmente aprofundar o personagem ou que respondesse às perguntas que o filme tinha criado.

Acabou sendo uma surpresa para mim justamente porque eu esperava encontrar um filme de ação e encontrei uma história que funciona melhor quando olha para a relação entre mãe e filha, a ação funciona, o filme tem um ritmo bom e não perde tempo com coisas desnecessárias. Os momentos dramáticos também conseguem encontrar um tom interessante. Não é um filme que eu considere perfeito, mas é uma experiência que me surpreendeu mais pelo drama familiar do que pela ação que eu imaginava encontrar.