O longa-metragem O Projeto é um documentário dirigido pela cineasta brasileira Sabrina Fidalgo (Alfazema, de 2019, e Rio Encantador, de 2014) e pelo fotógrafo suíço-sérvio Yvan Rodic.
Por que os brancos têm privilégios na maioria (às vezes totalidade) das oportunidades de trabalho, estudo, moradia, saúde etc.? E qual o motivo dos sistemas de exclusão e apagamento histórico negro? Esse documentário foca na investigação do racismo estrutural em vários países, com foco no Brasil, mas mostra como isso acontece em diversos lugares, como Suíça, França, Nigéria, Argentina, Alemanha, Portugal, entre outros.
A diretora Sabrina, em uma de suas entrevistas, disse: “A raiz de todos os nossos problemas é o colonialismo, que nasceu há 600 anos”.

A combinação da diretora brasileira Sabrina com o fotógrafo Yvan traz diferentes olhares e aspectos sobre o preconceito contra a raça negra. Apesar de Yvan ser loiro e de olhos claros, o que, “entre aspas”, lhe daria certos privilégios, no começo do filme é mostrado o preconceito que ele sofreu ao se mudar com sua família para a Suíça (o depoimento e as fotos parecem mostrar uma família negra chegando a um país europeu). Isso ajuda a entender o motivo de ele viajar pelo mundo tirando fotos das pessoas e entrando no “projeto” junto com a cineasta brasileira. Eles questionam e mostram como o sistema molda a política, a sociedade e a percepção sobre o racismo contra os negros.
Em todos os países que o documentário visita, há depoimentos de pessoas especializadas no assunto, sejam historiadores, pesquisadores, cineastas, professores, entre muitos outros.
Cada país tem sua particularidade e sua “culpa” pela propagação do racismo no mundo, principalmente pelo uso da mão de obra escrava de negros para o progresso de seus países. Seus governantes e pessoas racistas fazem de tudo para ocultar essa parte da história, ou seja, para esconder que o progresso e o alto desenvolvimento de suas grandes potências mundiais devem muito aos negros, ao seu trabalho e suor, sem direito à moradia, ao estudo e à saúde.

Todas as histórias e depoimentos que ocorrem no filme são de uma riqueza de informações impressionante. Isso nos faz pensar: como pode ter ocorrido tudo isso e as pessoas ignorarem? As passagens pelo Países de Portugal, Alemanha e Suíça são realmente fortes, mas a da Argentina, que é nossa “vizinha”, é surreal. O documentário mostra pessoas dizendo que a Argentina é branca e revela como o país promoveu o embranquecimento racial da população. O incrível é que o Brasil também tentou fazer isso, mas, felizmente, não deu certo por causa da nossa luta por igualdade e pela preservação da nossa história. E o chocolate que todos nós gostamos? O cultivo do cacau que vem da África, através do trabalho infantil? Tudo isso é explicado nesse filme.
Esse documentário é essencial para mostrar a todos que queiram saber sobre o tema e até àqueles que têm empatia pela causa o porquê de vivermos nesse mundo de injustiças. Devemos trazer tudo isso à tona para que seja feita uma reparação às pessoas que sofrem até hoje, pois isso é um direito. Todos nós somos um só, não existe melhor ou pior por ser de cor diferente. Temos que fazer um mundo melhor, igual para todos, em relação às oportunidades de saúde, estudo e trabalho.

