Pega Essa Dica – Godzilla Minus Zero

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Godzilla merecia mais tempo de tela.

Godzilla está de volta em Godzilla Minus Zero, sequência de Godzilla Minus One (2023), novamente dirigido por Takashi Yamazaki, que também assina o roteiro e a supervisão dos efeitos visuais. O longa aposta em uma produção ainda mais grandiosa, com efeitos visuais impressionantes e uma ameaça que promete colocar a humanidade novamente diante do caos.

Ambientado em 1949, dois anos após os acontecimentos do filme anterior, a história acompanha o Japão em sua tentativa de reconstrução após os horrores da guerra. Quando o país começa a encontrar caminhos para seguir em frente, uma nova ameaça surge e coloca tudo em risco. Enquanto Godzilla volta a representar um perigo devastador, o drama acompanha os personagens e os conflitos de uma família que tenta reconstruir sua própria vida.

O filme é bom, mas existe um problema que acaba prejudicando bastante a experiência: o excesso de atenção ao arco dramático dos personagens humanos. Entendo a proposta de desenvolver os conflitos familiares e dar continuidade à história emocional do primeiro longa, mas, em determinados momentos, isso compromete o ritmo. Afinal, estamos falando de Godzilla! Quero ver o monstro, quero destruição, quero cenas grandiosas e aquela sensação de que a qualquer momento tudo pode ir pelos ares.

E é justamente aí que o filme deixa a desejar. Em uma produção de aproximadamente duas horas, Godzilla aparece tão pouco que, se somarmos seus momentos em tela, parece que não chegamos nem perto do tempo que gostaríamos. Se ele tiver 15 minutos de presença efetiva, já é muito! É frustrante quando o maior atrativo de um filme acaba ficando em segundo plano. O drama humano poderia funcionar muito bem, mas precisava dividir melhor o espaço com o verdadeiro protagonista.

Por outro lado, tecnicamente, o filme é maravilhoso. Os efeitos visuais estão impressionantes, a qualidade gráfica é fantástica e o trabalho de som merece destaque. As cenas de destruição têm uma força absurda e mostram o cuidado da produção em entregar um espetáculo de verdade. É aquele tipo de filme que merece ser visto em uma tela grande, para aproveitar cada detalhe da experiência audiovisual.

Outro detalhe muito bacana foi receber uma carta do próprio diretor, Takashi Yamazaki, com dicas, explicações e até alguns spoilers sobre o filme. É um material diferente, que aproxima os críticos do processo criativo e oferece uma perspectiva interessante para acompanhar a história e perceber detalhes que talvez passassem despercebidos.

No fim, Godzilla Minus Zero entrega um bom filme, com qualidade técnica impressionante, mas que poderia ser muito mais empolgante se equilibrasse melhor o drama familiar e as aparições do monstro. Não adianta construir uma produção grandiosa e deixar Godzilla esperando nos bastidores. Quando compro um ingresso para assistir a Godzilla, quero ver Godzilla!

E um aviso para quem for ao cinema: o filme não tem cena pós-créditos. Portanto, não precisa ficar esperando até o fim dos créditos.