Antes de tudo, é importante informar que este filme é um épico cinematográfico. A sensação é de estarmos assistindo a um filme da época de ouro dos clássicos, como Ben-Hur (1959) e Spartacus (1960), porém com toda a tecnologia que temos hoje, principalmente nas salas IMAX.

O filme é uma adaptação do poema épico de Homero, que dá continuidade aos acontecimentos de Ilíada. São quase três horas de duração acompanhando a jornada de Odisseu (Matt Damon) de volta para Ítaca após a vitória na Guerra de Troia, retorno que ele tenta concluir há dez anos. Nesse caminho, enfrenta monstros, reis, bruxas, sereias, deuses, tempestades e tudo o que faz parte da mitologia grega.
O elenco tem grandes nomes do cinema atual. Além de Matt Damon como Odisseu, temos Anne Hathaway vivendo Penélope, esposa de Odisseu; Tom Holland como Telêmaco, filho do casal; Lupita Nyong’o em dois papéis, Helena de Troia e Clitemnestra, esposa de Agamenon; Zendaya interpretando a deusa Atena; Benny Safdie como Agamenon; Charlize Theron como Calipso; Robert Pattinson como o vilão Antínoo; Jon Bernthal (conhecido por viver o Justiceiro) como Menelau; John Leguizamo como Eumeu; Mia Goth interpretando Melanto; Elliot Page vivendo Sinon, entre outros.

A história não é contada de forma linear, o que já é uma marca do diretor Christopher Nolan. O filme apresenta o presente enquanto contextualiza os acontecimentos que levaram àquele momento. Isso ajuda bastante quem não leu o livro ou não conhece adaptações anteriores.
Christopher Nolan traz para este filme sua assinatura, vista em obras como A Origem (2010), Interestelar (2014), Dunkirk (2017) e Oppenheimer (2023): a grandiosidade. O resultado é um verdadeiro espetáculo cinematográfico. O filme foi fotografado e filmado em IMAX, e a experiência de assisti-lo nesse formato é sensacional. Caso não seja possível, procure a melhor sala de cinema disponível, com tela grande e excelente sistema de som, para aproveitar tudo o que a produção oferece. A trilha sonora e a sonoplastia criam uma imersão impressionante. Os cenários, filmados em diversos países, juntamente com os figurinos e a maquiagem, ajudam a reconstruir um mundo que parece realmente existir. A sensação é a de viajar ao lado de Odisseu durante toda a sua jornada.

O longa peca principalmente na forma como conduz suas personagens femininas, especialmente Penélope. Durante boa parte do filme, ela permanece apenas chorando e esperando o retorno do marido, submissa aos homens que desejam se casar com ela caso Odisseu realmente tenha morrido. No poema, porém, Penélope é retratada como uma mulher forte e estrategista. Também senti falta de um maior desenvolvimento de Atena, vivida por Zendaya. A personagem tem enorme importância na história, mas aparece apenas em rápidos momentos e com poucos diálogos. O mesmo vale para outras personagens femininas, que acabam parecendo excessivamente dependentes dos homens. Ainda assim, todas entregam excelentes interpretações. Acredito, inclusive, que Anne Hathaway possa disputar o Oscar, pois transmite com muita competência tanto os momentos de firmeza quanto os de fragilidade de sua personagem.
Outro grande destaque é Robert Pattinson, que interpreta o vilão com maestria. Sua atuação é tão convincente que faz o público sentir verdadeira raiva do personagem.

As cenas de ação, como era de se esperar em um filme de Nolan, são grandiosas. A invasão de Troia com o Cavalo de Troia é sensacional. As batalhas são épicas, e as sequências em alto-mar, acompanhadas pelo som das trovoadas e dos combates, são excelentes. O confronto contra o ciclope Polifemo é uma das melhores cenas de ação do filme e ainda traz elementos de terror. E, falando em terror, a sequência envolvendo a feiticeira Circe me lembrou a clássica transformação em lobisomem de Um Lobisomem Americano em Londres (1981), considerada até hoje uma das melhores transformações já realizadas no cinema.
Volto a enfatizar: veja este filme no cinema e IMAX . Vale cada centavo do ingresso. O espetáculo é sensacional. Para alguns, será um dos maiores filmes que já assistiram, um verdadeiro épico. Para outros, será apenas um grande filme, ainda que não seja o melhor de suas vidas. Mas tenho certeza de que todos sairão da sessão dizendo que é uma produção grandiosa e que seria um pecado não vê-la na tela grande.

