Uma queda desnecessária.
O longa é um verdadeiro “copia e cola” do primeiro filme. A sequência pega praticamente a mesma fórmula de A Queda, troca a torre por uma nova situação de perigo e tenta reproduzir a mesma tensão, mas acaba entregando um roteiro fraco, previsível e cheio de decisões questionáveis. Distribuído no Brasil pela Paris Filmes, o longa é dirigido por Michael Spierig e Peter Spierig, com roteiro de Scott Mann e Jonathan Frank.

Após a morte da irmã de Jax, ela se aproxima de Luce, amiga dela, e as duas decidem enfrentar uma perigosa passarela suspensa no Monte Kwan, na Tailândia. Um deslizamento de rochas as deixa presas em uma estreita estrutura a mais de 3.000 metros de altitude, transformando a aventura em uma luta desesperada pela sobrevivência.
E aqui está uma das maiores questões: A Queda 2 não precisava ter ligação alguma com o primeiro filme. Poderia simplesmente contar uma nova história sobre duas pessoas tomando decisões completamente absurdas e colocando suas próprias vidas em risco. Talvez funcionasse melhor.
O começo já causa estranheza. A cena de abertura parece não fazer sentido dentro da história e só muito mais tarde descobrimos a explicação para aquilo. O problema é que, quando a resposta finalmente chega, ela não se encaixa de maneira satisfatória no restante do filme. É uma tentativa de criar um mistério que acaba parecendo mais uma justificativa tardia do roteiro.

E se no primeiro filme a situação já exigia uma boa dose de suspensão de descrença, aqui os personagens parecem fazer questão de tomar uma decisão pior que a outra. São escolhas previsíveis, muitas vezes sem lógica, que existem apenas para colocar as personagens em mais uma situação de perigo.
O problema é que A Queda 2 não copia apenas a ideia de colocar personagens presos em um lugar de difícil acesso. O filme repete também um dos principais recursos dramáticos do primeiro: nas alturas, as personagens descobrem um segredo que muda a relação entre elas e cria um conflito. Mais uma vez, uma revelação passa a colocar os personagens uns contra os outros justamente quando deveriam estar unidos para sobreviver. É praticamente a mesma fórmula emocional do primeiro filme, apenas apresentada com novas personagens.
O filme repete praticamente toda a estrutura do anterior: subida, perigo, desespero, descoberta de um segredo, conflito entre os personagens, tentativa de encontrar uma saída, novas dificuldades e mais uma situação impossível. A sensação é de assistir ao primeiro filme novamente, só que com outra paisagem.

Outro problema são alguns erros de continuidade que acabam chamando atenção justamente porque estamos diante de um filme que depende quase exclusivamente da lógica de sua situação. Quando a sobrevivência dos personagens é o centro da história, qualquer detalhe que não faça sentido quebra ainda mais a imersão.
Tecnicamente, o filme consegue entregar algumas sequências capazes de provocar aflição, principalmente para quem tem medo de altura. Mas boas cenas de tensão não conseguem esconder um roteiro fraco, previsível e cheio de conveniências.
E então chegamos ao final, que tenta dar um significado maior para tudo aquilo, mas acaba deixando mais perguntas do que respostas. A conclusão não apenas soa sem pé nem cabeça, como também reforça a sensação de que algumas ideias foram colocadas na história apenas para criar uma surpresa.

A Queda 2: No Limite tinha a oportunidade de fazer algo diferente, mas escolheu repetir a fórmula. Não precisava ser uma continuação direta, não precisava tentar explicar ou conectar tudo ao primeiro filme. Bastava colocar duas pessoas diante de uma situação absurda e construir um bom suspense de sobrevivência.
No fim, sobra um filme que até consegue causar vertigem em alguns momentos, mas que parece mais preocupado em repetir o sucesso do anterior do que em contar uma história realmente nova.
E, sinceramente, depois desse final, A Queda 2 não deixa nenhuma necessidade de uma terceira queda.

