Pega Essa Dica – Coyote vs. Acme

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É um filme para a eterna criança dos anos 90, que acordava cedo para assistir o Coyote perseguindo o Papa-Léguas.

Coyote vs. Acme é um filme que eu gostei, mas acredito que funciona muito melhor para quem cresceu acompanhando esses personagens. Para as crianças de hoje, talvez a experiência não tenha o mesmo impacto. Já para quem foi criança nos anos 90, existe uma forte sensação de nostalgia e carinho em cada referência. O filme entende muito bem seus personagens e entrega momentos que fazem lembrar por que o Coyote continua sendo um dos personagens mais queridos e azarados da animação.

Na história, depois de mais uma de suas inúmeras tentativas frustradas de capturar o Papa-Léguas, o Coyote decide processar a ACME, empresa responsável pelos produtos que sempre acabam se voltando contra ele. Para defender seus interesses, ele conta com a ajuda de um advogado, enquanto do outro lado está um representante da própria ACME. O que começa como uma disputa judicial acaba se transformando em uma aventura cheia de confusão, humor e situações típicas dos Looney Tunes.

Dirigido por Dave Green, com roteiro de Samy Burch, a partir de uma história de Samy Burch, James Gunn e Jeremy Slater, e produzido por James Gunn e Chris DeFaria, o filme ainda carrega uma história de bastidores bastante curiosa. A produção foi completamente finalizada pela Warner Bros., mas acabou sendo engavetada pelo estúdio em 2023, em uma decisão relacionada a benefícios fiscais. A notícia provocou uma grande reação de fãs e profissionais de Hollywood e, durante um período, existiu até o risco de o filme nunca chegar ao público. Felizmente, a produção foi resgatada e finalmente ganhou sua oportunidade de ser lançada.

O grande mérito está justamente em conseguir trazer esses personagens para uma história diferente sem perder a essência que os tornou tão queridos. O Coyote continua sendo aquele personagem que sofre com seus próprios planos, enquanto o Papa-Léguas permanece sendo o grande alvo de sua obsessão.

Por outro lado, o filme é longo e isso acaba pesando. Em alguns momentos, a história fica cansativa e parece se estender mais do que deveria. A interação entre os personagens humanos e a animação funciona e não chega a ser um problema, mas acredito que o filme poderia ser ainda mais divertido se tivesse apostado um pouco mais na animação e nos próprios personagens dos Looney Tunes.

E existe uma ironia muito interessante em toda essa história. Um filme sobre o Coyote enfrentando a ACME e tentando responsabilizar uma grande empresa quase teve exatamente o mesmo destino de seu protagonista: foi produzido, finalizado e depois ficou preso nas mãos de uma grande corporação. O Coyote finalmente conseguiu sua chance de revanche, e nós finalmente tivemos a oportunidade de assistir ao filme.

O longa tem distribuição da Paris Filmes. E fica aqui nosso agradecimento à Paris Filmes por ter tido a coragem de lançar esse filme, permitindo que uma produção que quase foi esquecida pudesse finalmente chegar às telas e ser vista pelo público.

No final, Coyote vs. Acme é uma viagem nostálgica que provavelmente vai conversar muito mais com quem cresceu nos anos 90 do que com uma nova geração. Não é perfeito, principalmente por sua duração, mas entrega uma experiência divertida, carismática e cheia de referências para quem já tem carinho por esses personagens.