Pega Essa Dica – Murder Mouse: Parque da Morte

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Murder Mouse – Parque da Morte: quando a nostalgia encontra o terror, mas a execução não acompanha a ideia

Murder Mouse: Parque da Morte (título original: Mickey’s Slayhouse) é um filme de terror e slasher lançado no Brasil pelo steaming Adrenalina Pura+ em 29 de outubro de 2026.

A trama acompanha um grupo de adolescentes que decide invadir o Mickey’s Playhouse, um parque de diversões abandonado. O que era para ser uma busca por adrenalina se transforma em um pesadelo mortal quando eles passam a ser perseguidos por espíritos e por uma versão macabra e assassina de um famoso mascote da cultura pop.

Existe algo bastante curioso em transformar personagens que fizeram parte da nossa infância em figuras assustadoras. É justamente nessa proposta que Murder Mouse – Parque da Morte tenta encontrar seu espaço, utilizando a imagem de um dos ratinhos mais conhecidos do mundo para construir uma experiência de terror em um parque de diversões abandonado.

A premissa, por si só, desperta curiosidade. Afinal, um parque abandonado, personagens misteriosos e uma figura macabra vestida de mascote parecem ingredientes perfeitos para um bom slasher. O problema é que ter uma ideia interessante não significa necessariamente saber o que fazer com ela.

O filme tenta abraçar o universo do terror trash, apostando em situações absurdas, violência e personagens que parecem tomar decisões questionáveis a cada oportunidade. Entretanto, existe uma diferença entre abraçar o absurdo e entregar algo que realmente consiga divertir o público. E é justamente nesse ponto que a produção encontra suas maiores dificuldades.

O roteiro tenta desenvolver diferentes elementos dentro da mesma história, mas acaba comprometendo o ritmo e a construção narrativa. Algumas situações parecem acontecer sem o devido desenvolvimento, enquanto determinados acontecimentos não conseguem provocar o impacto que deveriam. Em vez de construir uma atmosfera de tensão, o longa frequentemente acaba deixando a sensação de que poderia ter aproveitado muito melhor suas próprias ideias.

Outro ponto que merece atenção são os personagens. É difícil criar algum envolvimento emocional quando falta profundidade e naturalidade nas relações. E, em um filme de terror, isso faz diferença. Afinal, por mais que estejamos esperando as perseguições e as mortes, também precisamos ter algum motivo para nos importar com quem está tentando sobreviver.

Visualmente, a proposta de transformar um ambiente associado à diversão e à infância em um cenário de pesadelo tem potencial. Existe um contraste interessante nessa escolha, mas o filme nem sempre consegue explorar essa atmosfera da maneira que poderia. O baixo orçamento, por si só, não é um problema. O cinema de terror já mostrou inúmeras vezes que criatividade e boas ideias podem superar limitações financeiras. A questão é saber transformar essas limitações em identidade, e não deixar que elas se tornem obstáculos para a experiência.

No fim, Murder Mouse – Parque da Morte acaba sendo uma produção que desperta mais curiosidade pela sua proposta do que pelo resultado apresentado. É uma daquelas experiências que poderiam render muito mais se houvesse um cuidado maior com o roteiro, os personagens e a construção do suspense.

Ainda assim, existe espaço para quem gosta de explorar produções diferentes e não tem medo de se aventurar pelo lado mais exagerado do terror. Mas, para quem procura um slasher realmente envolvente, com mortes marcantes, tensão e uma história que consiga sustentar sua própria premissa, talvez a experiência deixe um pouco a desejar.

Às vezes, a ideia mais assustadora de um filme não é o seu assassino, mas perceber o quanto uma boa premissa pode ser desperdiçada.