É pesado, é nojento e preciso.
O Longa é um filme que utiliza o terror para fazer uma crítica social pesada e extremamente relevante sobre a obsessão pela magreza, os padrões de beleza e a pressão estética. Em vez de recorrer apenas ao choque, o longa transforma essas questões em uma experiência desconfortável e perturbadora, tornando sua mensagem ainda mais impactante. É um tema importante, atual e que merece ser discutido.

A história acompanha Hana, uma estudante de medicina obcecada por emagrecer que passa a consumir pílulas feitas a partir de cinzas humanas em busca do corpo perfeito. A partir daí, sua obsessão desencadeia uma série de acontecimentos perturbadores. Com direção e roteiro de Natalie Erika James, o filme segue a linhagem do body horror, do terror psicológico e do terror sobrenatural, utilizando esses elementos para construir uma narrativa que incomoda de propósito. Algumas cenas foram claramente concebidas para causar desconforto no espectador, reforçando a deterioração física e mental da protagonista.
É impossível não lembrar de A Substância durante a sessão. Os dois filmes seguem uma proposta semelhante ao utilizar o body horror como ferramenta para discutir questões sociais e os padrões estéticos impostos à sociedade. No entanto, Insaciável não tenta copiar a obra de Coralie Fargeat. Cada filme possui sua própria personalidade, identidade visual e narrativa, encontrando seu próprio caminho dentro do gênero.
O roteiro é interessante e desenvolve bem sua proposta, enquanto a atuação de Midori Francis sustenta boa parte da carga emocional da história. A fotografia e a atmosfera contribuem para criar um clima inquietante do início ao fim. Ainda assim, mesmo com apenas 1h53 de duração, o desenvolvimento acaba cansando em alguns momentos, dando a sensação de que determinadas situações poderiam ser mais enxutas sem comprometer a mensagem do filme.

O único ponto que realmente me incomodou foi o desfecho. Senti que o final poderia ter sido melhor desenvolvido e explicado, deixando algumas respostas mais claras e entregando uma conclusão mais impactante para a jornada da protagonista.
Ainda assim, Insaciável é um bom filme, com uma proposta inteligente, visual forte e uma mensagem relevante. É um terror que vai além dos sustos e usa o gênero para provocar reflexão, entregando uma experiência envolvente e um entretenimento de qualidade.

