O longa tenta resgatar o charme dos clássicos filmes de monstros marítimos, apostando em uma atmosfera sombria, cenários naturais impressionantes e na grandiosidade da criatura mitológica. A fotografia dos fiordes da Noruega realmente entrega imagens bonitas e o início do filme consegue criar certa curiosidade sobre o que está escondido nas profundezas.
Na história, uma bióloga marinha investiga mortes misteriosas e desaparecimentos próximos aos fiordes da Noruega, até descobrir que uma criatura colossal inspirada na lenda do Kraken está escondida nas profundezas do oceano.

O problema é que o filme passa mais tempo enrolando do que realmente desenvolvendo qualquer coisa interessante.
A direção de até demonstra competência visual em alguns momentos, principalmente na construção da ambientação e do clima de isolamento marítimo. Mas o longa parece perdido entre querer ser um suspense psicológico e um grande monster movie. Já o roteiro de , e sofre justamente por não saber equilibrar mistério e entretenimento. O resultado é uma narrativa arrastada, cheia de preparação para cenas que nunca entregam o impacto prometido.
A sensação constante é de que Kraken tem medo do próprio monstro. O roteiro segura tanto a criatura que chega um momento em que você simplesmente perde o interesse. O trailer consegue mostrar mais emoção, tensão e presença do Kraken do que o próprio filme inteiro. É aquele clássico caso onde a campanha de divulgação vende um longa muito mais grandioso do que ele realmente é.

Quando finalmente o Kraken aparece, o impacto já não existe mais. O filme constrói expectativa demais para entregar de menos, e ainda por cima com CGI inconsistente. Algumas cenas até funcionam visualmente, mas outras parecem videogame antigo ou animação inacabada.
Outro grande problema são os personagens. Eles são tão rasos e esquecíveis que em vários momentos você literalmente esquece que alguns ainda estão no filme. Não existe desenvolvimento emocional, carisma ou qualquer conexão com o público. Quando alguém entra em perigo, a reação acaba sendo indiferença total, porque o roteiro nunca faz você realmente se importar com ninguém.
A narrativa também sofre com um ritmo extremamente lento. Existem diálogos longos que não levam a lugar nenhum, cenas repetitivas de investigação e uma tentativa de criar profundidade dramática que nunca funciona. O filme parece inflado artificialmente para atingir duração de longa-metragem.

E mesmo sendo um filme sobre um Kraken, faltam justamente as coisas que o público espera de um monster movie: destruição memorável, tensão constante e presença da criatura. Em muitos momentos parece mais um drama frio sobre pessoas olhando para água do que um filme de terror marítimo.
Existe mérito na ambientação e na tentativa de criar um horror mais atmosférico, mas Kraken acaba sendo um filme que promete uma criatura colossal e entrega uma experiência pequena, lenta e esquecível.


