Pega Essa Dica – Marsupilami: Confusão a Bordo

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Marsupilami: Confusão a Bordo é uma nova adaptação dos quadrinhos de André Franquin e não possui ligação com o longa lançado em 2012. Não se trata de uma continuação nem de um remake, mas de uma história inédita que apresenta o personagem para uma nova geração. Com direção de Philippe Lacheau, que também integra o elenco, o filme aposta em uma aventura leve, repleta de humor físico, confusões e personagens carismáticos, funcionando como uma ótima opção para toda a família.

O grande destaque é, sem dúvida, o próprio Marsupilami. O adorável animal conquista desde a primeira aparição com seu comportamento travesso e expressões cheias de personalidade. A produção utilizou uma técnica híbrida, combinando CGI com animatrônicos (bonecos mecânicos), o que torna suas interações com os atores mais naturais e convincentes. O resultado lembra o charme das criaturas clássicas dos anos 80 e 90, como Gremlins, reforçando a atmosfera nostálgica que o filme busca transmitir. No entanto, um dos problemas do filme é justamente a demora para colocá-lo em cena. A narrativa gasta bastante tempo apresentando os personagens e a situação inicial antes de entregar aquilo que realmente desperta o interesse do público: o encontro com o Marsupilami.

Outro ponto que fica como uma oportunidade perdida é o pouco desenvolvimento da origem da criatura. O filme apresenta o Marsupilami como um ser raro e misterioso, mas dedica pouco tempo para explorar seu habitat, sua espécie e a mitologia que envolve o personagem. Um maior aprofundamento nesse universo poderia enriquecer a história e criar uma conexão ainda maior com o público.

A direção de arte aposta em uma fotografia bastante colorida, com uma paleta de cores vivas que ajuda a transmitir o clima leve e divertido da aventura. Sem buscar grandes inovações visuais, o filme acerta ao criar um ambiente alegre e acolhedor, que combina perfeitamente com sua proposta familiar.

O roteiro é simples e previsível, mas mantém um bom ritmo e consegue divertir com suas situações absurdas. Ainda assim, algumas escolhas de humor soam completamente deslocadas. Piadas envolvendo exame de toque e uma referência ao famoso “comprimido azul” são desnecessárias em um filme claramente voltado ao público infantil. São momentos que não acrescentam nada à narrativa e destoam do restante da obra, que funciona muito melhor quando aposta no humor físico, nas trapalhadas dos personagens e no carisma do Marsupilami.

No fim, Marsupilami: Confusão a Bordo é um ótimo passatempo. Não é um filme que ficará marcado entre os grandes clássicos do gênero, mas entrega diversão do início ao fim. Sua maior qualidade está justamente em resgatar a essência das aventuras familiares dos anos 90, com um humor inocente, personagens carismáticos, cores vibrantes e aquele espírito de Sessão da Tarde que faz toda a diferença. Ainda assim, fica a sensação de que havia potencial para explorar muito mais o universo do Marsupilami e sua origem. É um filme para reunir a família, desligar das preocupações e simplesmente aproveitar a aventura.