Pega Essa Dica – Ne Zha 2 – O Renascer da Alma

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Ne Zha 2 – O Renascer da Alma é uma animação chinesa de fantasia e ação que encanta pelos aspectos técnicos, animação inovadora e narrativa envolvente. Sequência direta de Ne Zha (2019), ambos roteirizados e dirigidos por Yang Yu, mais conhecido como Jiaozi, o longa foi lançado durante o Ano Novo Chinês de 2025 e rapidamente se tornou um fenômeno de crítica e bilheteria, conquistando o posto de maior arrecadação do ano e o título de maior bilheteria de uma animação de todos os tempos. O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 25 de setembro.

Inspirado em um dos grandes clássicos da literatura chinesa do século XVI, Fengshen Yanyi (A Investidura dos Deuses), o filme mantém os personagens centrais, mas aposta em uma história original além da obra tradicional. A trama começa exatamente onde o primeiro filme terminou, com as almas de Ne Zha e Ao Bing (reencarnações do Orbe Demoníaco e da Pérola Espiritual, respectivamente) sendo preservadas dentro de uma flor de lótus sagrada pelo Mestre Taiyi Zhenren. Após um ataque de Shen Gongbao à Passagem Chentang, o corpo de Ao Bing não resiste e sua alma acaba se abrigando dentro do novo corpo de Ne Zha. A partir daí, o herói embarca em uma jornada até o Palácio Yu Xu junto de seu mestre em busca do “Elixir de Reparo”, o único artefato capaz de restaurar o lótus e oferecer a Ao Bing um corpo estável. No caminho, eles enfrentam provações, reviravoltas e dilemas que colocam em jogo não apenas sua força, mas também suas crenças e lealdades.

A evolução técnica é um dos grandes trunfos do filme. Com novas tecnologias aplicadas ao desenvolvimento da animação, Ne Zha 2 eleva o patamar das produções chinesas do gênero e entrega um espetáculo visual. As lutas são épicas, coreografadas com fluidez impressionante e um salto gráfico significativo em relação ao longa anterior. Dragões, mortais, monstros e guerreiros dividem a cena em batalhas grandiosas e visualmente arrebatadoras, alternando proporções tradicionais e colossais, deixando os personagens minúsculos diante da magnitude dos cenários. Não é à toa que já se tornou um marco na história da animação.

No aspecto narrativo, o filme aposta em um tom político mais forte do que no primeiro, mas que se mantém acessível para todas as idades. Além disso, aprofunda reflexões sobre o que realmente define o “bem” e o “mal”, mostrando como esses conceitos se complementam e se transformam de acordo com o ponto de vista. Essa abordagem traz maior densidade à trama e contribui para a construção de uma história grandiosa, aliada à representação visual da mitologia em seus personagens, que oscilam entre o humano e o mítico.

Se por um lado a riqueza de subtramas e personagens adiciona camadas à narrativa, por outro pode exigir maior atenção do público, principalmente de quem não assistiu ao primeiro filme. Ainda que funcione isoladamente, a obra anterior serve como complemento fundamental para compreender toda a dimensão deste universo. O drama familiar, presente tanto na trajetória do protagonista quanto na dos coadjuvantes, funciona muito bem e garante momentos de forte carga emocional, equilibrando-se com a aventura e a ação que também são pontos fortes na narrativa. O ponto que menos convence é o humor, que não encontra o tom certo em alguns momentos, especialmente no primeiro ato, onde chega a soar exagerado até para o público infantil.

No fim, Ne Zha 2 se consolida como um dos maiores eventos cinematográficos do ano, unindo espetáculo visual, narrativa profunda e envolvente, e uma mitologia rica em significados que agrada a todos os públicos e idades. Com reviravoltas marcantes, novas adições de personagens e tramas ao universo e um desenvolvimento ainda mais profundo do arco de Ne Zha e Ao Bing, o longa reforça o protagonismo da animação chinesa no cenário mundial. É também uma ótima porta de entrada para o público ocidental, já acostumado com as produções hollywoodianas, descobrir a originalidade e a força estética das animações orientais.

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