Drácula é um filme de romances góticos, longe de ser um filme de terror.
Drácula: Uma História de Amor Eterno tenta reinventar o clássico do vampiro mais famoso da literatura, mas tropeça ao transformar o terror gótico em um romance sem alma. A proposta de humanizar o personagem até poderia render algo interessante, mas o filme se perde em melodrama, estética exagerada e um roteiro arrastado.

Após perder sua esposa, o príncipe Vladimir renega Deus e é amaldiçoado com a vida eterna. Séculos depois, já como Drácula, ele reencontra o amor em uma nova forma — e fará de tudo para tê-la de volta, mesmo que isso custe sua própria humanidade.
O maior problema do filme está na direção, que falha nas cenas de ação e violência, deixando tudo artificial e sem impacto. Algumas piadinhas cortam o clima do filme. Além disso, toda referência mais parece um plágio mal feito.
Com um elenco composto por Caleb Landry Jones (Dogman), Zoë Bleu (filha de Rosanna Arquette e sobrinha de David Arquette) e Christoph Waltz (Django Livre), temos apenas um ator francês: Guillaume de Tonquédec. Um elenco de peso — pena que mal aproveitado.
A trilha sonora de Danny Elfman encaixa perfeitamente aqui e é um dos acertos do longa, enriquecendo profundamente o filme. A fotografia é bem bonita, com enquadramentos que deixam as cenas ainda mais belas, cheias de referências — sua estética é um dos pontos altos.

O roteiro se perde por várias vezes, sem muito foco, e na verdade cópia e cola muitos elementos do filme do Coppola. O final é um pouco corrido e incoerente com o todo.
Talvez, se eu não gostasse de Drácula e nunca tivesse assistido a nenhum filme anterior, eu até aceitasse muitas coisas aqui. Aliás, quando vão anunciar o perfume do Drácula? É difícil entender o que isso realmente acrescenta à trama, já que não condiz em nada com a construção do personagem que vem atravessando gerações.

