Pega Essa Dica – Obsessão

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Sem dúvidas, um dos melhores filmes de terror do ano e facilmente uma das experiências mais desconfortáveis e tensas que o cinema de terror entregou nos últimos tempos.

OBSESSÃO pega elementos que funcionaram muito bem em Sorria, Fale Comigo e Hereditário, mas consegue criar sua própria identidade. O filme mistura terror psicológico, tensão sobrenatural, cenas perturbadoras e um clima constante de ansiedade que faz você ficar desconfortável do começo ao fim. É aquele tipo de filme que deixa a sala do cinema em silêncio absoluto e faz todo mundo pular da cadeira nos momentos certos.

A trama acompanha Bear, um jovem romântico que trabalha em uma loja de discos e decide usar um objeto sobrenatural chamado “One Wish Willow” para conquistar sua amiga de infância Nikki. O desejo realmente funciona… mas da pior forma possível. O que começa como uma simples história sobre obsessão amorosa rapidamente se transforma em algo sombrio, cruel e completamente fora de controle.

E o mais interessante é como o filme brinca com a ideia de obsessão emocional, carência e dependência afetiva. Em vários momentos, você percebe que o verdadeiro horror não está apenas no sobrenatural, mas também nas atitudes humanas e na forma desesperada como algumas pessoas lidam com amor, rejeição e solidão.

Esse definitivamente é um filme para ser assistido no cinema. O som faz TOTAL diferença na experiência. Cada ruído, cada silêncio e cada batida da trilha sonora aumentam ainda mais a tensão. É impossível não sentir desconforto em várias cenas. Honestamente, não acho que assistir em casa, principalmente dublado, tenha o mesmo impacto.

Visualmente, o filme também impressiona muito. A fotografia escura, o uso das sombras e a direção conseguem criar uma sensação constante de perigo. Mesmo nas cenas mais calmas, você sente que alguma coisa horrível está prestes a acontecer.

O elenco principal é impecável. Todo mundo entrega exatamente o que o filme precisa, mas quem realmente surpreende é Inde Navarrette. Mesmo ainda não sendo um rosto tão conhecido do grande público, ela domina completamente as cenas em que aparece e entrega uma atuação extremamente intensa. Michael Johnston também funciona muito bem e consegue transmitir perfeitamente o desespero e a obsessão crescente do personagem.

Outro ponto muito positivo é que o roteiro não perde tempo tentando explicar toda a origem da maldição ou do objeto sobrenatural. O filme entende que o medo do desconhecido funciona muito melhor do que respostas prontas. Talvez isso fique para uma possível continuação, mas sinceramente, não existe necessidade.

O ritmo também merece destaque. Em vários momentos, parece que o filme é mais longo do que realmente é, mas não porque ele seja cansativo. Isso acontece porque você fica aflito com tudo o que está acontecendo e quer escapar daquela sensação junto com os personagens. É um terror que mexe muito mais com o psicológico do que apenas com sustos baratos.

E o final… pesado, desconfortável e cruel. Além do choque, o filme ainda entrega uma crítica social extremamente forte sobre obsessão, carência emocional, dependência afetiva e a necessidade desesperada de validação das pessoas atualmente. E sem falar na crítica, ou melhor, na realidade que o filme apresenta: a mulher, independentemente da situação ou circunstância, quase sempre acaba sendo vista como a “louca” do relacionamento.

OBSESSÃO não é apenas mais um filme de terror. É um filme que realmente consegue causar desconforto, ansiedade e tensão do começo ao fim.