Pega Essa Dica – Águas Mortais

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Existem temas clássicos que, apesar de tantos anos, os diretores de cinema continuam explorando, tentando inovar em assuntos que, para muitos, já estão “batidos”. Algumas produções foram relativamente boas, outras sofríveis. Estou me referindo aos filmes de acidentes aéreos e de tubarões. Neste longa-metragem, o diretor reúne os dois temas e, para minha surpresa, entrega um filme acima da média.

A direção fica por conta de Renny Harlin, conhecido ao longo de sua carreira por produções repletas de suspense, tensão e, principalmente, ação, como Duro de Matar 2 (1990), Risco Mortal (1993), Do Fundo do Mar (1999) e Os Estranhos: Capítulo 1 e Capítulo 2 (2024 e 2025), entre outros.

A trama acompanha um voo que sai de Los Angeles com destino a Xangai. Ainda no aeroporto conhecemos os personagens, que seguem os arquétipos clássicos dos filmes de sobrevivência: o egoísta, o jovem casal apaixonado que ainda não teve coragem de declarar seus sentimentos, o atleta valentão, a idosa simpática e algumas crianças. Após a decolagem, um grave problema obriga a aeronave a realizar um pouso de emergência no meio do Oceano Pacífico.

Os sobreviventes acreditam que o pior já passou, mas logo descobrem, entre os destroços do avião, que estão cercados por um perigo ainda maior: tubarões. Isso mesmo. A região está infestada por predadores sedentos por carne fresca. A partir daí, a missão é reunir os passageiros que sobreviveram, escapar dos ataques e encontrar uma forma de pedir socorro.

O comandante da aeronave é interpretado pelo veterano Ben Kingsley (Nosso Amigo Extraordinário), que entrega uma atuação convincente diante das limitações do roteiro. Porém, quem assume o papel de líder e herói da história é Aaron Eckhart (Batman: O Cavaleiro das Trevas), que mais uma vez demonstra segurança em um papel de ação.

O principal destaque do filme são as cenas envolvendo o desastre aéreo. Desde o início, mostrando o drama e a tensão dos passageiros, tudo é muito bem dirigido e consegue transmitir a sensação de que estamos dentro do avião. As sequências da explosão e da queda no mar são bastante realistas, principalmente considerando que se trata de um filme B com orçamento limitado.

As cenas em alto-mar também funcionam em alguns momentos, principalmente por mostrar a imensidão do Oceano Pacífico e criar a sensação de isolamento dos sobreviventes. As mortes são bem realizadas e possuem boas doses de terror. No entanto, um dos grandes problemas do filme é justamente ser um filme de tubarão… e quase não ter tubarões. Eles aparecem muito rapidamente, sem que o roteiro construa aquele suspense clássico de que existe um perigo escondido na água. O longa desperdiça a oportunidade de brincar com o medo do desconhecido e revela sua principal ameaça cedo demais.

Outro ponto que incomoda é a ambientação. Em diversos momentos, é nítido que a água utilizada nas filmagens parece mais uma piscina do que o Oceano Pacífico, o que prejudica bastante a imersão. Soma-se a isso algumas situações completamente absurdas que desafiam a lógica e existem apenas para fazer a história seguir em frente.

Se você curte filmes de desastre aéreo e de tubarões, sabendo que não está diante de uma grande superprodução, mas sim de um filme com orçamento limitado, provavelmente terá uma boa surpresa. Águas Mortais entrega um acidente aéreo muito bem realizado, boas cenas de tensão e violência e consegue entreter, mesmo tropeçando em alguns problemas de roteiro e execução. É um filme acima da média dentro desse subgênero, porém não espere nenhuma grande inovação. O roteiro é praticamente um “copia e cola” de diversas produções que já exploraram esses dois temas, utilizando situações e personagens bastante previsíveis. Ainda assim, consegue cumprir sua proposta e divertir quem é fã desse tipo de filme.