Backrooms podia ser melhor. Bem melhor.
Backrooms chega aos cinemas como uma das experiências mais inquietantes do horror recente, apostando menos em sustos fáceis e mais em uma constante sensação de desconforto psicológico. Kane Parsons mostra uma direção surpreendentemente madura, criando tensão através do silêncio, dos corredores infinitos e da sensação de isolamento absoluto.

Na trama, Clark, dono de uma loja de móveis, encontra um portal misterioso no porão do estabelecimento. Fascinado pelo local, ele acaba se perdendo dentro desse labirinto surreal, levando sua terapeuta, Dra. Mary Kline, a entrar no local para tentar resgatá-lo.
O elenco funciona muito bem dentro da proposta do filme, com destaque para Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve, que entregam performances intensas e ajudam a dar peso emocional para uma história extremamente abstrata. O roteiro até tenta começar a desenvolver os personagens, porém abandona isso no meio do caminho, deixando vários conflitos superficiais e sem conclusão.

O roteiro assinado por Will Soodik consegue expandir o universo criado por Kane Parsons sem perder a essência perturbadora da obra original. Porém, o filme parece não ter interesse em explicar nada. Os Backrooms são apenas um vazio infinito onde você entra e aparentemente nunca mais sai. Isso funciona em um curta, mas, em um longa de quase duas horas, a ideia se torna cansativa e repetitiva.
Você sai do cinema se perguntando “como?”, “quando?” e “por quê?”. E talvez esse seja justamente o problema. O público vai ao cinema esperando respostas mínimas ou algum desenvolvimento mais concreto. Esse tipo de narrativa aberta já virou uma marca frequente dos filmes da A24, estúdio que recentemente vem entregando produções cada vez mais genéricas e esquecíveis.
Kane Parsons entende perfeitamente o que transformou Backrooms em um fenômeno da internet e traduz isso para o cinema de forma ambiciosa. O longa aposta em horror atmosférico, visual claustrofóbico e construção lenta de tensão, algo que certamente vai dividir opiniões entre o público acostumado ao terror convencional.

O filme, em alguns momentos, é feito em found footage, e isso dá uma sensação de você estar ali, o que é muito bom para a experiência. Você não vê o que vai aparecer, e isso incomoda bastante, fazendo com que o espectador se transporte para dentro do universo de Backrooms.
Mesmo sendo um dos filmes mais aguardados pelos fãs de terror, Backrooms acaba decepcionando. Para mim, é facilmente um dos filmes mais fracos do ano, principalmente por não entregar aquilo que vende em seus trailers e campanha de divulgação.
Ainda assim, o longa consegue se destacar justamente por sua identidade própria, entregando uma experiência estranha, claustrofóbica e memorável que definitivamente não vai agradar todo mundo.
E é estranho isso, porque o longa tem todos os elementos que um bom terror precisa.

