A nova versão de Dona Beja (2026) chega com uma proposta mais moderna, visualmente bonita e com uma protagonista forte. E sim, eu gostei da novela. Mas também tem pontos que me incomodaram bastante.

O maior destaque, sem dúvida, é a atuação da protagonista, que segura bem a história e entrega presença em cena. A produção também chama atenção, com figurinos e ambientação bem trabalhados, dando um ar mais sofisticado.

Porém, o ritmo da novela é um dos seus maiores problemas. Os capítulos são acelerados demais, parece que tudo precisa acontecer rápido, sem dar tempo das situações respirarem. A cronologia das coisas passa a sensação de que vários acontecimentos importantes estão sendo jogados ao mesmo tempo, sem construção.
Isso impacta diretamente no drama. Muitas cenas que deveriam ser emocionantes acabam soando forçadas e sem peso. Falta emoção real, falta aquele tempo necessário para o público se conectar com o que está acontecendo.
Outro ponto que incomoda é o desenvolvimento de algumas histórias. A trama envolvendo personagens gays, por exemplo, tinha potencial para ser muito mais profunda, mas ficou superficial e sem o impacto que poderia ter.
E o final… principalmente da vilã, é bem frustrante. Depois de fazer maldades durante praticamente toda a novela, ela simplesmente tem um final feliz, o que quebra completamente a lógica da história e tira a sensação de justiça.
Os três últimos episódios são outro problema. Tudo acontece de forma extremamente acelerada, como se a novela estivesse correndo para acabar, deixando várias resoluções apressadas e pouco satisfatórias.
E uma das escolhas mais estranhas do final é colocar uma música da Ludmilla sendo cantada por dois personagens. Não é um problema com a música em si, mas o contexto simplesmente não funciona. A cena destoa completamente do tom da novela e acaba tirando o peso do momento, soando mais artificial do que emocionante.
No último episódio, a passagem de tempo também decepciona bastante. A produção, que começa bem ao longo da novela, cai muito nesse momento. A caracterização da protagonista mais velha ficou artificial e caricata. Nesse caso, a Grazi Massafera até poderia ter sido substituída por outra atriz para essa fase, porque o resultado final ficou fraco e destoou do nível de produção que a novela vinha apresentando até então.
No geral, Dona Beja (2026) é uma novela que tem qualidades e vale a pena assistir, principalmente pela protagonista e pela produção. Mas peca bastante na construção emocional, no ritmo e em algumas decisões de roteiro que enfraquecem a experiência.

