Futebol dos Cegos, documentário dirigido por André Bushatsky, acompanha de perto a jornada da Seleção Brasileira rumo aos Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Da preparação intensa aos bastidores emocionantes, o filme revela uma rotina marcada por disciplina, resiliência e absoluta precisão. Aqui, ouvir, tocar e se orientar pelo próprio corpo tornam-se habilidades tão fundamentais quanto chutar a bola. A narrativa ilumina a força coletiva da equipe, explorando sua dinâmica única, seus métodos de treino e a sinergia entre atletas, técnicos e guias. Muito além do esporte, o documentário oferece um olhar sensível sobre superação, identidade e a potência do futebol como forma de enxergar e transformar o mundo.

Além das cenas registradas nas quadras e nos espaços de treinamento, o documentário amplia seu olhar para outros ambientes que fazem parte da rotina dos atletas. As filmagens incluem atividades especiais realizadas na praia, momentos que revelam como diferentes superfícies e estímulos sensoriais contribuem para aprimorar a performance. O filme também se aprofunda na ciência aplicada à preparação física e técnica da equipe, destacando estudos, métodos e adaptações fundamentais ao alto rendimento.
A narrativa ainda percorre os bastidores da seleção permanente em João Pessoa, expondo o cotidiano coletivo e a estrutura que sustenta o time ao longo do ano. Em contraste com a intensidade dos treinos, o documentário registra instantes de leveza como a visita dos jogadores a pontos turísticos de Estrasburgo, durante um campeonato mundial, onde exploram a cidade por meio do toque e da experiência sensorial.
Ao lado deles, estão também figuras fundamentais para o desempenho atual da seleção: o baiano Cássio Reis, atleta paralímpico e presença marcante nas campanhas mais vitoriosas do time; o maranhense Jardiel Vieira, o gaúcho Jonatan Silva, o baiano Maicon Júnior e o paranaense Tiago “Paraná” da Silva, representantes de uma nova safra de jogadores que têm fortalecido a equipe em competições internacionais. Na defesa, atuam os goleiros paraibanos Luan Lacerda, de João Pessoa, e Matheus Costa, de Campina Grande ambos com experiência acumulada em torneios continentais e mundiais. A equipe é liderada pelo técnico Fábio Vasconcelos, cuja presença constante no documentário evidencia não apenas seu papel estratégico, mas também sua conexão profunda com o grupo e com a evolução do futebol de cegos no Brasil.
O filme evidencia que, muito além dos resultados em quadra, o futebol de cegos é uma prática construída na confiança mútua, na escuta e na força de uma coletividade que se move em sintonia.

