O filme chegou à Netflix e é considerado um dos grandes filmes nacionais de comédia do ano. Mas será que é bom ou estamos tão carentes de filmes bons que qualquer produção acaba ganhando destaque?
Minha Melhor Amiga, dirigido por Susana Garcia, reúne Ingrid Guimarães e Mônica Martelli em uma comédia sobre amizade, amadurecimento e as descobertas da vida depois dos 50 anos. O roteiro conta com a participação de Andrea Batitucci, Patrícia Leme, Luisa Capri, Susana Garcia, Ingrid Guimarães, Mônica Martelli e Tati Bernardi.
A produção aposta na química das duas protagonistas, mas acaba tropeçando justamente no roteiro, que é bastante fraco e parece um compilado de piadas bobas entre amigos, sem uma construção interessante ou situações realmente engraçadas.

Mônica Martelli força demais na tentativa de reproduzir um humor que lembra Paulo Gustavo. Parece que sua personagem foi construída para seguir essa mesma linha, com piadas e interpretações que remetem constantemente ao estilo do ator. O resultado é uma atuação pouco natural, que deixa a personagem artificial e, em vários momentos, bastante amadora.
Ingrid Guimarães, por sua vez, parece ter saído de uma produção para entrar em outra interpretando praticamente a mesma personagem de sempre. Falta novidade, ousadia e uma construção diferente que consiga surpreender o público.
Outro ponto que incomoda é a escolha do universo em que essas histórias são contadas. O roteiro poderia tranquilamente se passar no Brasil, mas, assim como acontece em outras produções protagonizadas por Ingrid Guimarães, a história novamente nos leva para fora do país. Parece existir uma fórmula para essas personagens: mulheres próximas da meia-idade, bem-sucedidas, empresárias, com uma vida financeiramente confortável, enfrentando conflitos com o marido ou em busca de um novo amor. Raramente vemos essas mulheres passando pelos perrengues reais da vida, enfrentando dificuldades financeiras, problemas cotidianos e situações com as quais grande parte do público feminino brasileiro poderia se identificar. Não é necessário viajar para a Europa ou viver uma vida de luxo para contar uma boa história sobre amizade, relacionamentos e amadurecimento.

E talvez o problema seja ainda maior quando olhamos para a filmografia de Susana Garcia. A diretora parece repetir a mesma fórmula em boa parte de suas comédias: mulheres de meia-idade, conflitos amorosos, problemas familiares e situações que giram em torno de personagens com uma realidade financeira distante da maioria dos brasileiros. Podemos observar características semelhantes em produções como Minha Vida em Marte, Minha Irmã e Eu e Os Homens São de Marte… E É Pra Lá Que Eu Vou. Parece faltar disposição para explorar novos caminhos, apresentar outras realidades e contar histórias que fujam desse universo já conhecido. O cinema nacional precisa de novos olhares e personagens que representem diferentes camadas da sociedade. Existem milhões de brasileiras enfrentando dificuldades financeiras, problemas no trabalho, relacionamentos complicados e os desafios reais da vida. Por que essas histórias não recebem o mesmo espaço nas grandes comédias nacionais?
É possível que o filme conquiste seu público, principalmente porque estamos carentes de caras novas, histórias diferentes e roteiros realmente criativos na comédia nacional. Mas isso não significa que estejamos diante de uma grande produção. Minha Melhor Amiga funciona como um passa-tempo, daqueles para assistir sem grandes expectativas, mas está longe de ser um dos melhores filmes de comédia do cinema nacional.
No fim, é uma produção que tinha potencial para ser muito mais, mas acaba ficando presa a uma fórmula desgastada e entregando muito menos do que poderia.

