É interessante, porém segue por um caminho muito seguro.
A direção de Baltasar Kormákur aposta em um suspense de sobrevivência mais contido, focando no lado físico e psicológico da protagonista. A condução é competente e cria bons momentos de tensão, mas falta ousadia para elevar o filme a algo mais marcante.

No elenco, Charlize Theron está bem e entrega exatamente o que o papel exige. Além de protagonizar, ela também assina a produção do filme, mostrando seu envolvimento direto no projeto. Ainda assim, sua personagem acaba limitada por um roteiro que não explora tudo que poderia.
Já Taron Egerton assume com maestria o papel de vilão psicótico, trazendo presença e intensidade sempre que aparece em cena. O problema é que o roteiro poderia se aprofundar muito mais nele e em suas vítimas, o que faria o conflito ganhar mais peso e impacto.

A proposta de sobrevivência funciona, mas de forma superficial. O filme até flerta com os perigos da natureza, porém deixa tudo muito concentrado no vilão. Faltou explorar melhor os riscos do ambiente, criar mais adrenalina e fazer da natureza um elemento realmente ativo na história.
No fim, é um filme que prende em alguns momentos, mas segue um caminho clichê, daqueles em que o desfecho já parece claro desde cedo. Funciona como passatempo, mas deixa a sensação de que poderia ter sido bem mais intenso e memorável.
O filme se encontra no catálogo da Netflix.

