Pega Essa Dica – Zico – O Samurai de Quintino

cinema Cinema Nacional Crítica Cinema filme

Este filme é um documentário dirigido por João Wainer (Bandida: A Número Um, A Jaula) que foca na trajetória do jogador Zico, ídolo máximo do Flamengo e um dos maiores do Brasil. Muitos concordam, principalmente especialistas, que depois de Pelé, Zico foi o jogador mais completo e um verdadeiro exemplo a ser seguido. O documentário mostra sua trajetória desde o início da carreira no Flamengo, passando pela Itália, até o legado deixado no Japão.

O diretor acerta ao fugir de um documentário básico sobre um ídolo do futebol, que normalmente se limita a gols, títulos e relação com torcidas. Aqui, ele vai mais fundo, trazendo aquilo que não está no “Google” e focando no lado mais íntimo de Arthur Antunes Coimbra, o Zico. A produção teve acesso ao acervo familiar e profissional do jogador e de sua esposa, Sandra Carvalho de Sá, com quem é casado há mais de 50 anos. Entre os materiais, há cadernos com registros manuais e detalhados de cada gol, além de fitas VHS e filmes Super-8 gravados pelo próprio Zico.

Na coletiva de imprensa realizada em São Paulo, o diretor revelou que o projeto começou a ser filmado em 2023, justamente quando Zico comemorou seus 70 anos. O objetivo foi mostrar como ele se tornou um ídolo que ultrapassa o clube, sendo até hoje uma das maiores referências não só no futebol, mas também em outros esportes, no Brasil e no exterior, especialmente no Japão. Isso se deve à sua dedicação, profissionalismo e simplicidade.

O filme mostra desde quando Zico era uma criança magra, sem o biotipo considerado ideal para um jogador, superando adversidades com dedicação, amor e seriedade pelo que fazia. A narrativa acompanha sua chegada ao profissional do Flamengo e também evidencia que a vida de um atleta não é feita apenas de alegrias. O documentário aborda rejeições, contusões, dificuldades para conciliar estudos com o futebol e a exigência de seu pai para que se formasse e cursasse uma faculdade, além das experiências no exterior e das derrotas em competições.

Outro ponto alto é sua trajetória no Japão. Já como estrela mundial, Zico demonstra humildade e profissionalismo ao ajudar a desenvolver o futebol local, que ainda era amador, contribuindo para a transformação do país em uma das grandes ligas profissionais, com altos investimentos e presença constante em Copas do Mundo. Impressiona a simplicidade de um ídolo que lavava sua própria roupa de treino. Essa parte é sensacional.

Também merece destaque o que Zico disse na coletiva: a importância de lutar, estudar e se dedicar para realizar sonhos profissionais. Ele reforça que todos têm esse direito, mas que é preciso persistir nos momentos difíceis. E, ao alcançar o sucesso, não esquecer da família, dos amigos e dos princípios, valorizando quem ajudou na trajetória e evitando que fama e dinheiro subam à cabeça.

Por tudo isso, pelas cenas apresentadas e pelos depoimentos — tanto dos que estão no filme quanto dos que não estão —, fica evidente a simplicidade com que Zico trata todos ao seu redor. Ele mantém a mesma atenção de quando começou. Inclusive, posso afirmar isso por experiência própria: estive com ele há 35 anos, em Niterói, em uma palestra ao lado de Leonardo, e recentemente na coletiva, onde pude abraçá-lo e conseguir um autógrafo para meu filho, além de uma foto no Museu da Gávea.

É por isso que Zico está acima de qualquer torcida ou país: ele é, de fato, um exemplo a ser seguido.